quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

The Birth and Death of the Day.

Não, a culpa não era de um relacionamento frustrado.. Nem dela ter morrido, de algum caso mal-resolvido. A culpa não era, não é, dos conflitos gerados em casa. A culpa, definitivamente, não está nos livros que não fazem mais sentido. Nem mesmo na droga do colégio que já não a faz mais querer estar lá. A culpa não é da sua memória afetada, muito menos da bebida, que sua mãe custa em julgar. A culpa não era do ano passado inteiro, de todas as vezes que errou e se sentiu sozinha depois. A culpa não é de ter dormido tantas vezes sozinha, querendo ter alguém para ao menos pensar. A culpa, mais uma vez, não foi de ter acabado tudo que ela custava em acreditar. A culpa, meu deus, não foi dela, que por estar longe não pode ajudar. A culpa.. Que culpa? Ah, aquela que ela passou o ano todo julgando, perguntando, procurando, pensando. Aquela que tantas vezes foi citada por aqui numa tentativa de encontrá-la, de acusá-la, de trazer aquela paz que definitivamente não PODE nem DEVE existir. É, aquela culpa.. Sabe, demorou, entende? Foi difícil enxergar, no começo, por tentar de toda forma encontrar um anteparo, um estepe, um encosto pra aguentar as derrubadas e essa mania de achar que está sempre atrás. E, putz, ela estava. Acostumada a passar primeiro por todas as emoções, por tomar sempre as decisões certas, ter sempre algo em mente e ter uma causa, ideologia, razão.. razão? um chão, na verdade, algo pra se firmar, como já disse. Acostumada a não ser ultrapassada, a não ver ninguém crescer mais que ela. Mas isso se perdeu, mudou. Tentou culpar o mundo depois de tantas tentativas, tentou se localizar em alguém, tentou se localizar com livros, talvez se perder completamente com a bebida, com o existencialismo (afinal, que porra de filosofia é essa que sempre intrigou todo mundo?), tentou falar alto, tentou ficar calada pra só ouvir e foi se reprimindo mais por achar que estava cada dia mais errada... Chegou a inconstância, a tristeza, a falta de objetivo por perceber que não há o que fazer, que não se pode se achar procurando algo.
E então percebeu. Percebeu que se achasse, não teria lógica. Percebeu que o problema dela era não ter mais paciência o suficiente pra se preocupar com as próximas roupas que iria usar, paciência pra entrar nas comunidades mais cool e selecionar os amigos que poderiam ou não fazer parte de sua elite pessoal. Sem paciência pra entender e postar diversas vezes Caio Fernando Abreu dizendo ser ele o mais bonito do universo e até mesmo, por uns tempos, cansou de blog, de beber, de viver um universo em que ser você mesmo é OBRIGATÓRIO e isso acaba te fazendo mentir, te desvirtuando do principal. Aliás, até hoje ela não descobriu o que é o principal. As respostas pras questões que aqui estão, ela ainda não descobriu, como por exemplo se vale a pena amar, se vale a pena beber até chorar, se vale a pena se expor a todas as emoções or just feel no pain, being one island, se se se se... Enfim.
Só que, durante todo esse caminho, entre tantas perdições, ela aprendeu algo. Depois de ter se declarado, de ter saido da ingenuidade até chegar ao ponto de ter nojo de si mesma. Quando estava cansada. Simplesmente foi deixando as coisas andarem, curtindo cada momento, let it be. Se encontrando em outras pessoas, observando cada dia mais os outros tipos de realidade e, apesar de não ser mais aquela menina que assiste as pessoas passarem em seu rodo-cotidiano, com as idéias cada dia mais perdidas e sendo apenas como mão-de-obra num mundo tão mais interessante e ao mesmo tempo contraditório... Apesar de não ser aquela menina, continuou com a mesma paixão que havia antes por observar os locais, por escrever, por ouvir uma música e decifrar o que aquilo quer dizer pra ela, pra você. Assim, eu poderia dizer que foi do nada, parecia mais bonito né? Mas não foi. Custou, cara, custou muito e ainda custa bastante colocar os pés no chão e perceber que voar é melhor do que está inserido nessa pseudo-realidade frustrante. Custou tanta coisa e pode vir a custar mais, se ela mudar de idéia. Afinal, não se cresce de um dia pro outro, não se muda de idéia assim, do nada. É difícil encontrar diante de tantas dúvidas, uma paz.
Paz. Um belo dia ela acordou, tranqüila e percebeu que apesar de todo o caos que era sua vida, o tempo trouxe, sutilmente, a pseudo-paz que ela precisava. Não é que não seja paz, não é que esteja errado... Apenas trouxe alguma coisa pra pensar, um quase-objetivo.
Ela deixou de lado o que incomodava... Ela passou a conviver com seus defeitos, afinal, 'ninguém sabe qual é o defeito que sustenta todo o edifício que é sua vida'. Ela voltou a ler, a se apaixonar, se excitar e pensar em como poderia melhorar, mesmo sabendo que diversas vezes era encarada como pseudo-something. Afinal, de pseudo todos temos um pouco. Ela parou de se importar.
Ela cresceu.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

I love you sometimes always never.

Inconstância. Talvez seja isso que eu esteja passando, ou simplesmente uma característica minha apurada, no momento. Ao passo que aproximadamente uma hora atrás escrevo um post estilo crônica, irônico e divertido, o momento passa, deixando um vazio. E nesse vazio tenho residido. Não é o tom de férias e o ócio que acompanha, talvez tenha a ver com o fato do fim do ano se aproximar (e, realmente, a nostalgia tende a se tornar cada vez mais forte, até que o sentimento se rompe em lágrimas, ao passar do ano, entre tantos fogos de artifício), talvez o fato dos meus sweet sixteen estarem realmente acabando (infelizmente, felizmente acabando..), mas principalmente, o que me deixa nesse vácuo profundo em que todas as palavras se perdem e escrever aqui já não me alivia é essa falta de objetivo... ou de tantos, vários, que dificulta a mínima realização, por achar que os poucos que consigo não são o bastante, não me completam.
Angustiante saber que meus sweet sixteen estão prestes a acabar e tantas coisas não foram realizadas. Não apenas porque sempre gostei dos 16 anos, uma idade tão intermediaria e linda... Mas também por descobrir novamente que algumas partes do crescimento que desejava não é assim tão bonito quanto se pensava. É difícil perceber que meu ano tão 'badalado' e cheio de besteiras que tanto sonhei em fazer, todas as noites na cachaçaria, no parque do povo, no bronx, no tenebra, todas as bebedeiras incontáveis, na casa dos amigos ou whatever, tudo que foi feito... Foram colocadas sobre um pano de fundo onde há um vazio gigantesco que não sei definitivamente quando surgiu. Essa falta de algo acaba me tornando inerte ao que possa levar.
E na medida em que o tempo avança, que as coisas tomam destinos, mergulho nesse mar morto cada dia mais. Não tão somente pela idade, pelo 3o ano, pelos cursos e decisões prestes a serem tomadas, mas por olhar pra essa liberdade recém conquistada e me perguntar o que fazer dela. Que destino dá a meus princípios ainda não completamente formados, passivos de serem modificados, tantas filosofias e meios de ver observar o mundo e, ainda assim, não haver uma que meu atraia a ponto de adquirir uma posição. É como se nessa mudança de idade eu quisesse ficar ainda no estágio de escuta, de mera observadora nas discussões que me cercam... Continuar na velha relatividade, acreditando que tudo é passivo de mudança e não há necessidade de se assumir uma postura (ao menos não ainda). Só que, aos 17 anos, em um momento em que suas decisões viram protagonista da sua vida, mostrando que agora é com você que as rédeas estão, torna-se difícil continuar nesse meio de ver o mundo, nesse comodismo, just looking.
E é nesse ponto que a inconstância retorna. A relatividade vem daí. A mudança de humor, de pensamentos e ways of(f) see our life, se torna um embaralhado gigante e faz com que os sentimentos sejam os mais diversificados. Os milhares de pensamentos e assuntos que decorrem de um tópico apenas fazem com que sua cabeça gire, que posts como este fiquem uma bagunça de conteúdos e temas, mudanças estranhas de pensamentos e falta de coerência, talvez porque tudo anda assim, sem um rumo... Talvez porque a vida seja assim inconstante e isso seja o tom de emoção que há na mesma... Talvez porque, realmente, pôr em cheque o que se pensa faz-se necessário cada momento e mudar não seja um problema, mas até que ponto?
Principalmente por ser alguém de extremos, as coisas tendem a me irritar. Viver nesse talvez, nesse cansaço de nunca tomar uma decisão concreta, de passar a vida devaneando sobre o passado que deveria servir de parâmetro pra não cometer erros no futuro... Parece que o momento passou, that I missed the starting gun, que eu sou a Carolina que ficou na janela observando a banda passar.
A vontade de ter mais tempo pra pensar, pra decidir, de parar no momento e analisar minha vida. And, in the other hand, aquela velha vontade de tomar uma posição, começar a agir até que essas dúvidas passem.
Talvez com o tempo isso passe... Talvez não. Sei que agora, nesse momento, está escuro, está chovendo. E fica difícil decidir que palavras usar quando não há o que defender e há tanto no que pensar.


'It's growing cold
I'm growing old
Is this the only way to see the fire?
It's raining...'

@ Porcupine Tree.

domingo, 18 de outubro de 2009

Let's get together and talk about the modern age.

"We are the middle children of history, with no purpose or place. we have no great war, no great depression. Our great war is a spiritual war, our great depression is our lives"
- Fight Club.

O interessante de se observar em situações como a que vivi ontem é, além das consequências, as causas para que não só eu estivesse naquela situação mas também as possíveis razões das outras pessoas.
Tento, realmente, acreditar que todos eles vêem um sentido naquele lugar, naquele estado de espírito e em toda aquela quebra de 'leis' e 'regras', não apenas como um sentido de se rebelar contra nada (apesar de que isso já demonstra uma filosofia perpassada hoje em dia), mas sim como algo que está presente na juventude de hoje, na nossa geração, no nosso desespero, já que 'nossa grande depressão é a nossa vida'. Se estar ali significar se rebelar contra a vida sem sentido que temos, então já são justificáveis tais atos (se bem que, seguindo mesma lógica, seria justificável tirar a própria vida, por não ver sentido algum).
Filhos de classe média/alta, escondidos atrás de um cigarro e/ou uma bebida, algumas crianças em espírito, adultos na idade e vice-versa (como a traduzir que hoje em dia a idade não significa absolutamente nada), utilizando de atos para se rebelar ou simplesmente demonstrando que, pra eles, seu pensamento é tão contrário contra tudo que ouvimos falar todos os dias que aquilo tudo se tornou normal, nada mais nada menos do que diversão, não sendo uma forma de se manifestar diretamente, apenas demonstrando que suas ideologias vão, verdadeiramente, contra tudo que propaga a velha ética e moral.
E então, me vejo com uma latinha e um cigarro em mãos, escutando aquelas músicas que têm um sentido que vai além de um ritmo agradável ou uma letra bonita, mas uma forma de protestar contra a falta de sentido, a falta de procura do próprio sentido pelo senso comum, pela velha massa. Deparo-me com as imagens daquela noite, com pessoas fumando ‘um’ publicamente (absolutamente normal?), com alguém barrando a menina de 16 anos de comprar cerveja (eu? prefiro interpretar que moralismo falso não existe apenas no colégio ou em casa), pessoas curtindo a noite, pessoas conversando sobre tudo aquilo que nos cerca - "let's get together and talk about the modern age" @ rilo killey - outras pensando na próxima forma de impressionar seus amigos, outras perguntando porque estão ali, outras fugindo de seus problemas, outras tentando encontrar o sentido em suas drogas, em seus amores (de um dia ou de anos, whatever, tentando encontrar em outro ser humano), em suas falsas ilusões criadas pra diminuir essa angustia que nos cerca todos os dias e tende a permanecer até que tudo isso acabe (ou não - e isso nos remete a outras questões intrinsecamente ligadas as primeiras.. para onde vamos?), em suas religiões, em tudo aquela 'ideologia' formada pra que nos convencemos de que tudo é assim e não podemos mudar (ou, para alguns, que podemos.. e isso também é uma forma de se encontrar).
Me vejo pensando, então, naquele momento exato. Não do inicio da noite, não da subida pra o outro bar, não na conversa com uma menina que fugiu de casa (procurando o que?), não dos conselhos... Mas daquele exato momento. Pessoas pulando, cantando, como se fosse o clímax de um filme, o ápice da noite. Milhões de universos que diariamente são julgados, em suas próprias visões, em suas depressões pessoais, nesse "misto quente" de angustias, explicações, problemas, felicidades/alegria, noções de liberdade, de amor (seja lá o que isso signifique pra cada um deles, no fim das contas).
E entendo. Entendo que nem todos ali pensam nisso, nem todos já pararam pra observar o êxtase do outro, ou até mesmo o outro em si... Nem todos ao menos buscaram o significado do que realmente seria a essência. E me pergunto.. Qual o significado daquilo tudo pra mim, daquele cigarro na mão, daquela latinha, daqueles pensamentos mal-elaborados, desse post, dessa falta de objetivo, dessa música (explosions in the sky), dessa depressão que vivemos e tentamos preencher com alguém, com positividade, com alegrias passageiras. Nem todos tem essa literatura. E seria ela, boa ou ruim no fim das contas? E, afinal, o que é bom e ruim?
Então esqueço, volto a encarar tudo de frente, porque se esconder atrás de algo não me agrada. E a literatura, ou a arte em si, a filosofia.. As mesmas que me fizeram chegar nesse estado, nesse ponto sem equilíbrio ou lógica... Me acalmam, simplesmente. Me fazem acreditar que não estou sozinha, que ainda que ninguém queira me acompanhar ou viver essa aventura comigo, posso contar com estas duas, com seus autores, com seus maravilhosos universos que de uma forma ou de outra tendem a me entender. Ou que não entendam, o fato é que vivo tentando me entender e quando não me encontro sozinha, volto pra estas duas que sempre me acham, always there. Obrigada, pai, obrigada, mãe, por, além de tudo, me apresentar essas duas que sempre irão estar comigo, apesar de me deixarem nesse estado lamentável de post de blog pra se expressar... Porque, no fim, elas sempre me ajudam. Fazem ver que, apesar de tudo, com este universo cheio de universos e pensamentos confusos tudo é extremamente incrível e viver essa 'aventura' não é apenas algo doloroso, mas prazeroso ao extremo, se vivenciadas com a 'ajuda' dessas duas.
É, concordo ao passo que discordo com a frase que ‘ser ignorante é ser mais feliz’, porque, sinceramente, depois que se conhece a luz ninguém quer voltar ao estado mediocre de se estar preso em uma caverna. Porque talvez esse seja o MEU sentido, no final. Conhecer, explorar, sentir todas as dores e prazeres que a vida pode proporcionar, refletir, questionar e além de tudo SE questionar... Talvez essas paradas aleatórias e estranhas no meio da noite que dêem sentido pra que tudo se torne belo, ou ao menos agradável. Para que tudo não passe apenas de uma forma de diversão, mas repleta de significados que se tornam essenciais, não apenas para que esse blog continue mas que haja alguma lógica ou graça na vida.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

almost by concretismo.

ela acorda olha o relógio pensa no dia pensa na prova se levanta vai no banheiro tira a roupa entra no box liga o chuveiro olha a água cair pensa nele molha o corpo passa shampoo passa sabonete enxágua o cabelo enxágua o corpo passa condicionador enxágua o cabelo sai do box coloca roupão se olha no espelho volta pro quarto tira o roupão se enxuga pensa nele veste a calcinha sutiãn camisa calça meia seca franja pensa nele coloca tenis sai do quarto toma suco come pão pensa nele escova os dentes pega os livros os cadernos vai pro carro sai de casa dá bom dia pensa nele para no sinal pensa nele pensa na prova pensa nas fórmulas olha o celular chega no colégio dá bom dia entra na sala dá bom dia senta numa cadeira pensa nele olha o celular pensa nele espera a aula começar pensa nele assiste as aulas pensa nele quer sair dali olha o celular pensa nele pensa na prova pega o outro caderno estuda outra matéria tenta prestar atenção conversa com alguém intervalo come um salgado conversa com alguém pensa nele pensa na prova escuta música revisa pra prova começa a prova vai pra sala vê as questões começa a resolver pensa nele outra questão 'como fazer essa?' pensa nele pensa nas questões pede cola recebe ou não fica impaciente resolve o resto pensa nele chuta alguma acaba a prova sai do colégio espera o carro vai conversando chega em casa come liga o computador assiste alguma coisa pensa nele olha orkut twitter fotolog vai pra sala estuda pensa nele pensa em entrar no msn desiste volta a estudar tem sono pensa nele dorme para de pensar nele.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Todos os dias. Desde o dia dez do segundo mês, ou do primeiro dia de uma nova vida, com uma intensidade extrema que até dá raiva. Em todos os momentos que me vem ao pensamento 'memórias boas'.. Mas principalmente quando me fazem lembrar das ruins. Já me arrependi, já me orgulhei, já achei que fosse natural, já achei que fosse tão fraca a ponto de não conseguir encarar nada, usando como escape. Já achei que fui forte, que aguentei até a última ponta, mas aí relembro dos casos tão falados, dos contos de fadas perfeitamente românticos em que a mocinha passa por todas as provações pra ficar com aquele que.. Ama? Aliás, será essa a palavra certa? Me ponho a perguntar, tenho certeza, duvido, tenho raiva, enlouqueço, choro, esqueço.. por QUASE um dia. O engraçado é justamente isso, nunca consegui esquecer por mais de um dia. Todos os dias pensei, ainda que numa intensidade menor, ainda que só lembrando do nome, ainda que isso signifique passar meses sem notícias e o mínimo gesto de alguém lembrar, um gosto aleatório ou uma música, tocada num momento inapropriado, já que tudo que queria, inicialmente, era evitar... mas vi que não consigo.
Interessante, se é dessa forma, se não há como esquecer e a lembrança vai me perseguir, sem me deixar ter PAZ por tanto tempo, então porque continuar numa escolha como essa? E ponho em cheque, não somente por não obter respostas que se firmem por elas mesmas, mas porque quero, de alguma forma, construir um argumento que sustente minha idéia de que voltar não seria errado, que, no final, somos todos humanos, passou-se tempo, tive minhas diversões, por que não voltar praquele que amo? Esquecendo que o ser humano só encherga o que quer enchergar... Como tantas vezes não caí nessa, numa tentativa de manter alguma coisa que eu julgava me fazer bem. Me fazer bem? Conceito relativo, vamos por pausa e pensar. De verdade. O que não te faz bem pode ser o que ME faz bem e às vezes acho que viver de amor (amor?) é algo completamente natural e que não se trata de uma obra romântica mas de uma naturalista forte, em que o ser humano tem que apegar-se as suas carências, necessidades e fraquezas tal qual o suposto 'amor', para esquecer do quão podre consegue ser, sem enchergar que esse mesmo amor é aquele que te tira o maior de todos os bens (ou não né).. a liberdade.
E chegamos a questão principal: o que é mais importante, liberdade ou amor? Porque, se fomos analisar, o ponto principal não é alguém que eu penso todos os dias ou dediquei um tempo da minha vida (ou, talvez, para mim esse seja o meu ponto principal.. infelizmente, definitivamente perdido).. mas o ponto DESSE POST é algo maior, é perguntar, realmente, o que te trás mais felicidade a tal liberdade ou o amar, ser independente ou depender, desejo ou ternura, durações curtas ou longas?
O fato é que vivo confusa, não consigo definir uma estrutura em questões tão complexas quanto essas e fico vagando entre os dois extremos de tais respostas que, no final, irão se explicar por si só.. seja no cansaço de querer adquirir algo (ou ao menos um dos dois), ou no comodismo, da desistência.
Eu só quero lembrar.. Que ainda penso. Ainda lembro. Mas não sei se ainda quero. E, afinal, que diferença teria? Se tem algo que aprendi é que nem tudo que a gente quer, podemos ter.. e que isso não se aplica só ao fato de que eu ainda não tenho minha aumejada liberdade.. mas também porque não posso, diversas vezes, ter o meu amor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Too Little, Too Late.

I want you. I want you now! At this moment, talking about the philosophy, i want you asking me if i want drugs, i want you just looking at me, passing the teeths on my lips. i want you saying that I’m different, that I’m not like the other girls that you know.
I want you at the internet, saying that i have to stay calm, even dont really knowing me. i want you spending your time with me, talking shit and asking my secrets, i want you asking me whatever you like, i want you talking of nerdcast even i dont understanding at that moment. i want to meet, again, you and all your life.
I want you in my bedroom. i want you touching me here, there, everywhere. i want you here, with me, in the computer, saying stupid things so we wont think about anything that we cant do. i want you singing good bands, listen to jazz. i want you with me, i want you protecting me of the cold, i want you asking me to stay with you, all the moments, all the ways. i want you talking with me about nerd stuff. i want you with your red eyes looking for the horizon. i want you saying that i have to see some movie, or have to read some book. i want saying anything.
i just want you. everywhere. with me. now.



but i can't.

terça-feira, 14 de julho de 2009

I need some peace in the time of war.

Fim de férias, quando finalmente me sinto em paz, sou assaltada pela 2a vez no ano e provavelmente nunca mais vou ver nem a cor do celular, óculos (de sol e de grau), carteira e.. LIVRO (até isso, tá foda).
Ah, sei lá, tem hora que cansa. Cansa viver num país onde crime é banalizado e quando você vai fazer uma B.O. (pela milhonezima vez) o cara não faz questão de saber nem as características do assaltante, não importa a mínima (já que a polícia é tão filhadaputa que se eles conseguirem seus pertences com certeza não vão te entregar né? Vão ficar pra eles, afinal, o jeitinho brasileiro tá aí hein!), cansa observar que isso é tão corriqueiro que sua amiga já foi assaltada 2x no mesmo mês, que a outra nem anda mais com celular pra não ter o que passar mesmo etc etc etc. Cansa ter que escolher realmente o mais barato, o com menos funções, o que tenha menos utilidade (e aí não entra futilidade em querer comprar algo mais caro, mas apenas o fato de querer poder escutar uma mp3 na hora que bem entender, recurso que o celular oferece, por exemplo), cansa não poder andar com o que você adquire, cansa não poder sair na esquina, cansa viver dentro das grades de sua casa enquanto eles estão soltos por aí, banalizando tudo e matando quem tiver na frente.
É, admito que já fui mais 'liberal' e 'compreensiva'. Admito que já pensei em assaltantes como 'pobres coitados que a sociedade não foi justa, daí eles têm que assaltar pra trazer o pão de cada dia para casa, caso contrário quem dará?' mas sinceramente? cansa acreditar nisso e ter que virar as costas pro fato de que pegar um ônibus se torna uma operação super perigosa, já que a qualquer momento um cara pode te abordar e pegar todos os seus pertences (e ai de você se não tiver, principalmente se for mulher).
No final, não entendo porque ao invés de estar dormindo, tô perdendo meu tempo escrevendo essa revoltinha de guria que nunca foi assaltada antes (ou que já foi, pela 4a vez, e não aprendeu a lição ainda). Mas é que paro pra pensar.. Até onde isso vai? Vivemos uma guerra cívil no Brasil, no nosso cotidiano. Um local onde uma pessoa que morre de bala perdida é algo natural, onde uma chacina ocorre e ninguém acha absurdo ou se movimenta para fazer nada, realmente decepcionante. Política nem se fala, corrupção (ou roubo-mais-organizado, sinônimo) é tão natural que sinceramente já cansei de ao menos me interessar por tais assuntos. E, a parte disso, tá a ridicularidade e o sensacionalismo da mídia, é só observar que o caso de uma menina jogada de um andar é algo extremamente importante, capaz de mover montanhas por tal situação (e não tô aqui criticando isso, realmente é importante que se investigue, que se vá atrás) mas ao mesmo tempo a gente observa um cara matar 2 crianças, um pai e uma mãe com gêmeos (ou trigêmos? whatever) degolados, só sobreviver UMA criança por ter se escondido abaixo da cama e, hm, a globo só mencionar no Jornal Nacional e achar aquilo ali uma coisa natural. WTF? Que que houve? Não tem um escandalo político pra esconder agora? Ou eles não são de classe média pra poder se investigar tão afundo o caso? Será mesmo que a vida de tantas pessoas se tornou algo tão banal assim? Mídia sem ajudar em nada. Beleza, agora conta uma historinha que todo mundo se emociona e começa a chorar... Conta que o rei do pop morreu que todo mundo chora, mas se contar que uma criança morreu degolada ninguém tá nem aí, afinal, só virou estatística e não fez a mínima diferença na vida deles né?
Esse comodismo lidera a nação a troco de quê? A gente, classe média, já vive ferrada achando que um dia vai conseguir ter algo melhorzinho e beirar a classe alta, que tá aí esbajando dinheiro. Já a classe baixa, meu deus, não sei se dá pena ou raiva, galera sem oportunidade (ou com as mesmas, mas sem SABER ao menos como usufluir), sem educação, sem ética, achando que atirar em alguém é algo 'normal'. Que banalidade da morte/vida é essa? Olha ao ponto que se chega: achar que alguém morrer em um assalto, depois de ter entregue tudo, é natural. Agora me responda, viver num pais cujos valores perpassados são esses, tem algum futuro? Se não saber o que é ética e não ter um conjunto de BONS valores formados (que hoje estão sofrendo inversão) fosse apenas na classe baixa tudo bem, mas não é. É só olhar em volta, é só ver que seu amigo já passou a perna no outro por pura diversão, que você tem que ter cuidado até dentro de casa pra algum amiguinho não chegar e roubar algo de valor.
O que me deixa ainda mais triste numa situação como essa é observar que dificilmente algo vai mudar. Acreditar que o bandido 'um dia há de se lascar' numa providencia divina ou whatever não me satisfaz, nunca me deixou melhor acreditar no simples (im)provável. Cansa observar pactos feitos entre o que deveria nos defender e pessoas assim (políticos e ladrões, que no final dá no mesmo), cansa ver o 'malandro' com (ARGH) jeitinho brasileiro sempre na melhor, cansa escutar que o mundo é dos espertos e se vc for burro perde tudo. Olhar isso tudo e observar a juventude de hoje extremamente alheia a tudo que ocorre no mundo, estudando apenas pra passar no vestibular, sem ter o mínimo ponto de vista crítico acaba cansando também. Cansa ter que aturar político com cara de merda dizendo que tudo 'melhorou', que a gente não tá na crise e é isso que importa, pessoal! simbora dançar um sambazinho na porta de casa e assistir um futebolzinho pra animar a vida! afinal, é só isso que importa né? carnaval e futebol, uma cervejinha e uma morena dançando praticamente nua na sua frente (não pela nudez, mas pela banalidade do corpo da mulher, enquanto ela acha que isso é sinônimo de liberdade.. enr?). Cansa olhar isso tudo e ver que você simplesmente não pode fazer nada. Olhar que não adianta, que você não é mais aquela guria cheia de sonhos que a tempos atrás acreditava que as coisas iam melhorar e que ao menos um dia a galera iria chegar a ter um nível intelectual alto o bastante pra usar dois nêuronios e observar que tá tudo errado... Cansa ver que mesmo que você cresça, independente da sua profissão, a duvida de saber se há como mudar o mundo permanece, que sua ideologia tá simplesmente se perdendo, que a 'classe dominante' tá aí pra controlar todo mundo e whatever se você tá achando isso ruim ou não, já que todo mundo simplesmente é dominado e PRONTO, não se pode reclamar, até porque não há o que fazer, só chegar na próxima eleição e ou votar em branco/nulo (que sou EXTREMAMENTE contra e sei a diferença, obrigada) ou no menos filho da puta e esperar em deus que as coisas melhorem (agora experimenta ser ateia). Cansa observar que você não tá naquela de consumir, cansa observar que você não é mais um daqueles que é assaltado e simplesmente conseguem esquecer tudo já que seus pais compram tudo novamente um dia, esperando que você não seja assaltado. Afinal, é algo tão normal né?
É, cansa. É triste ter a sensação de incapacidade, que a única coisa que você pode fazer é escrever no seu blog, esperar que isso toque ou pelo menos conscientize alguém nem que seja por alguns segundos. Ficar naquela de 'crescer', se tornar alguém na vida e tentar melhorar de condição é tão vazio... É tão triste saber que essa situação é no país todo, que a opção que você tem é sair desse lugar e esperar não ocorrer nada contigo em outro... Ainda que isso signifique ter que se lascar muito estudando, porque pra quem não tem muito poder aquisitivo e é assaltada 2x no ano com o pouco que seus pais conseguem te dá, fica bem difícil achar que as coisas vão cair nas suas mãos simplesmente.
Não sei exatamente como terminar isso.. Mas, quem tiver lido, bora parar pra pensar um pouco né? Nem tudo é sexo, futebol e carnaval (ou whatever), tá bom de se conscientizar e procurar no seu próprio meio de influência tentar fazer algo. Seja lá como for, faça algo, é melhor do que acreditar, cegamente, que tá tudo normal, que você vive numa realidade boa onde todo mundo é feliz e que isso foi apenas um dia sem sorte. Por mais que várias vezes seja mais fácil e reconfortante crer nisso.

'it seem to me, people know not
the extent of their involvement.
things are not as they seem,
underneath the beast is not clean.
but we support the leaders who use
media to make them seem so clean'

@ Soldiers of Jah Army.